POESIA

 

                            

A túnica Inconsútil

(Jorge de Lima – 1938)



O médico da câmara da imperatriz Tereza – Frederico Knieps – resolveu também que seu filho fosse médico, mas o rapaz fazendo relações a equilibrista Agnes, com ela se casou, fundando a dinastia do circo Knieps de que tanto se tem ocupado a imprensa.


Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown (palhaço), de quem nasceram Marie e Oto.

Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora que tinha no ventre um santo tatuado.


A filha de Lily Braun – a tatuada no ventre, quis entrar para um convento, mas Oto Frederico Knieps não atendeu, e Margarete continuou a dinastia do circo de que tanto se tem ocupado a imprensa.


Então Margarete tatuou o corpo, sofrendo muito por amor de Deus, pois gravou em sua pele rósea a Via-Sacra do Senhor dos Passos.


E nenhum tigre a ofendeu jamais; e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos, quando ela entrava nua pela jaula a dentro, chorava como um recém nascido.


Seu esposo - o trapezista Ludwig nunca mais a pode amar pois as gravuras sagradas afastavam a pela dela e o desejo dele.


Então, o boxeur Rudolf que era ateu e era o homem-fera derrubou Margarete e a violou. Quando acabou o ateu se converteu, morreu.


Margarete pariu duas meninas que são o prodígio do Grande Circo Knieps.


Mas o maior milagre são as suas virgindades.


Em que os banqueiros e os homens de monóculo têm esbarrado; são as suas levitações que a platéia pensa ser truque; e a sua pureza em que ninguém acredita; são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo; mas as crianças crêem nelas, são seus fiéis, seus amigos, seus devotos.


Marie e Helene se apresentam nuas, dançam no arame e deslocam de tal forma os membros que parece que os membros não são delas.


A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos, Marie e Helena se repartem todas, se distribuem pelos homens cínicos, mas ninguém vê as almas que elas conservam puras, e quando atiram os membros para a visão dos homens, atiram as almas para a visão de Deus.


Com a verdadeira história do Grande Circo Knieps muito se tem ocupado a imprensa.


HISTÓRIA DO POEMA

…”DA VERDADEIRA HISTÓRIA DO CIRCO KNIE”


Em Viena, durante o reinado de Maria Tereza da Áustria, viveram os irmãos Charles e Frédéric Knie, este médico, que casou em 1873 e no ano seguinte teve um filho também chamado Frédéric, fundador da dinastia Knie ligada à arte do circo.

Aos dezoito anos, estudante de medicina em Insbruck, Frédéric apaixonou-se pela acrobata de uma companhia eqüestre ambulante e seguiu a troupe em turnê.  Interessando-se pelo trabalho dos saltimbancos, aprendeu o ofício de funambulesca. Em 1806 montou sua própria Companhia, viajando com uma exibição de dança e acrobacia na corda bamba. Três anos mais tarde, já com a segunda esposa (que, reclusa pelo pai em um convento, foi de lá resgatada por Frédéric através de uma corda bamba).

Passou por momentos difíceis por causa da guerra, trabalhando apenas pela sobrevivência diária. Logo em seguida, porém, tornou-se próspero e orientou os filhos na arte circense; Charles, o mais velho, não se interessou pela profissão, mas Rodolphe, Carl, Franz e Fanny seguiram a dinastia.

Todos foram grandes artistas e Carlos, o mais notável deles, teve filhos que continuaram o seu trabalho: Charles, Clara (casada com o funambulesco Henri Blondin), Marie (esposa do “clown” Futelet) e Louis; os filhos deste (Frédéric, Rodolpho, Charles e Eugene), por sua vez, perpetuaram a dinastia do Circo Knie fundando, em 1919, o Circo Nacional Suíço.

O sucesso dos Knie continua, num circo famoso pela qualidade de seus animais amestrados e pela beleza de seus espetáculos. Em sua sede, às margens do Lago de Zurich, a dinastia está assegurada por uma numerosa geração de pequenos Knies, treinados na melhor tradição dos antigos saltimbancos.


(Extraído do livro “A maravilhosa história do Circo”)